O Banco Central do Brasil anunciou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., antiga Reag Investimentos, nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026. A medida drástica foi tomada após a detecção de graves violações e o comprometimento da situação econômico-financeira da gestora.
A decisão, formalizada pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, visa proteger o Sistema Financeiro Nacional e os credores, interrompendo práticas ilícitas que inflavam resultados artificialmente e expunham investidores a riscos elevados. A Reag, que administrava bilhões em fundos, era uma das maiores do país.
As irregularidades vieram à tona com as investigações da Polícia Federal na “Operação Compliance Zero”, que desvendou uma complexa rede de transações suspeitas e a ligação direta da Reag DTVM com o Banco Master, já liquidado em 2025. Entenda os detalhes dessa operação e o impacto no mercado.
Motivos da Intervenção e o Esquema com o Banco Master
O Banco Central justificou a liquidação com base em análises que identificaram violações normativas graves na conduta da instituição. Essas infrações afetaram diretamente a integridade do Sistema Financeiro Nacional, expondo riscos a investidores e ao mercado de capitais. O histórico de operações da Reag revelou padrões que comprometeram sua solidez financeira, com falhas em gerenciamento de riscos, compliance e auditoria interna.
As investigações apontaram que o Banco Master concedia empréstimos a empresas ligadas à Reag, que por sua vez reaplicavam os recursos em fundos administrados pela própria gestora. Esses movimentos geravam transações rápidas entre fundos, com reavaliações de ativos que inflavam resultados de forma artificial. Em uma das operações identificadas, um fundo registrou valorização superior a 10 mil por cento em curto período, sem correspondência com o mercado real.
A Polícia Federal apurou que os recursos circulavam em uma cadeia de fundos composta por papéis de baixo valor líquido. Esse esquema permitia a criação de um patrimônio aparente elevado, mascarando a origem e a qualidade dos ativos. Relatórios do Banco Central ao Ministério Público Federal apontaram, inclusive, créditos inexistentes na ordem de bilhões de reais, evidenciando a fragilidade das operações.
A Teia de Operações Suspeitas e o Porte da Reag no Mercado
Autoridades detectaram injeções de recursos seguidas de reavaliações sucessivas em fundos da Reag, elevando o patrimônio registrado sem base em transações reais de mercado. Outro ponto crítico foi a administração de fundos que recebiam empréstimos do Banco Master e os direcionavam para aquisições internas. Esse ciclo se repetia, gerando uma escalada de valores que não se sustentava em análises independentes.
A Reag DTVM posicionava-se como uma das principais administradoras de fundos do Brasil, com patrimônio sob gestão que chegava a centenas de bilhões de reais nos últimos rankings da Anbima. Fundada pelo empresário João Carlos Mansur, a empresa cresceu rapidamente, incorporando outras gestoras e atuando na distribuição de títulos e valores mobiliários para diferentes perfis de investidores.
Apesar de seu porte e crescimento, a instituição enfrentava questionamentos do mercado sobre a origem de parte de seus ativos. A mudança de denominação para CBSF ocorreu recentemente, mas não alterou o controle ou as operações principais, que já estavam sob o radar das autoridades.
Linha do Tempo da Crise: Das Investigações à Liquidação
As apurações envolvendo a Reag iniciaram em agosto de 2025, com a “Operação Carbono Oculto” da Polícia Federal, que investigava esquemas de lavagem de dinheiro. Fundos administrados pela gestora entraram no foco por suspeita de ocultar patrimônio ilícito. Em novembro de 2025, a primeira fase da “Operação Compliance Zero” atingiu o Banco Master, levando à prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro, por supostas fraudes de mais de R$ 11 bilhões. O Banco Central, então, decretou a liquidação extrajudicial do Master.
Durante dezembro de 2025, relatórios internos do Banco Central enviados ao Ministério Público Federal detalharam tentativas frustradas de venda do Banco Master, barradas pela autarquia ao detectar R$ 12 bilhões em créditos inexistentes. Os documentos também revelaram as conexões financeiras entre o Master e os fundos da Reag.
No dia 14 de janeiro de 2026, a segunda fase da “Operação Compliance Zero” executou dezenas de mandados de busca, apreensão e prisão, incluindo João Carlos Mansur e o empresário Nelson Tanure. O Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio de bilhões em bens dos investigados. Finalmente, em 15 de janeiro de 2026, o Banco Central formalizou a liquidação da CBSF, antiga Reag, reforçando a atuação coordenada entre as autoridades.
Proteção aos Credores e o Contexto Regulatório
Com a liquidação, os bens dos controladores e ex-administradores da Reag tornam-se indisponíveis, uma determinação legal que visa preservar ativos para eventual ressarcimento de investidores e outras partes afetadas. O Banco Central designou Antonio Pereira de Souza como liquidante da instituição, conferindo-lhe poderes amplos para gerir o processo de encerramento e realizar pagamentos a credores conforme a legislação.
O Banco Central informou que prosseguirá com apurações internas para identificar responsabilidades, podendo aplicar sanções administrativas e encaminhar informações a outras autoridades competentes. A autarquia ressaltou que a Reag representa uma fração mínima do Sistema Financeiro Nacional, o que reduz os riscos de um contágio amplo no mercado, garantindo a conformidade com as normas vigentes.
A liquidação extrajudicial é um mecanismo regulatório que permite a intervenção rápida em instituições com problemas graves de governança ou solvência. Casos semelhantes já ocorreram em anos recentes, e a medida reforça a supervisão constante do Banco Central sobre as distribuidoras de títulos e valores mobiliários, protegendo a estabilidade do sistema financeiro como um todo.
Eu sou a Carla Vargas. Acredito que todo trabalhador merece receber cada centavo pelo seu esforço, sem deixar nada para trás. Como repórter de Trabalho e Economia no Canal do Cidadão, minha missão é descomplicar a CLT e as regras do FGTS, PIS/PASEP e Seguro-Desemprego. Eu traduzo o ‘economês’ para que você entenda seus direitos na demissão, saiba quando sacar seus benefícios e aproveite as melhores oportunidades que o mercado de trabalho oferece.