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Uma grande novidade promete revolucionar a forma como brasileiros e europeus enviam e recebem dinheiro: o Banco Central do Brasil (BCB) e o Banco Central Europeu (BCE) iniciaram estudos para conectar diretamente o Pix à plataforma europeia de pagamentos instantâneos, conhecida como TIPS (Target Instant Payment Settlement).

Essa cooperação técnica e jurídica busca permitir transferências financeiras instantâneas entre o mercado brasileiro e os países da União Europeia, com a promessa de custos significativamente menores e liquidação em moeda local. O objetivo principal é destravar pagamentos comerciais e remessas pessoais, facilitando a vida de cidadãos e empresas.

A fase preliminar foi aberta oficialmente em 24 de setembro de 2026, com foco em tornar os pagamentos transfronteiriços mais rápidos, eficientes e acessíveis. Continue lendo para entender como essa conexão funcionará e quais os benefícios para você.

Redução Drástica de Custos e Prazos para o Pix Internacional

Atualmente, enviar dinheiro para o exterior pode ser caro e demorado. As tarifas cobradas pelas instituições financeiras em transferências transfronteiriças chegam a 10% ou mais do valor remetido, especialmente quando envolve moedas com menor liquidez global. Com a interligação entre Pix e TIPS, a meta é ambiciosa: reduzir esse custo para menos de 3%.

Além de baratear as operações, a iniciativa visa diminuir drasticamente os prazos. No modelo bancário tradicional, uma remessa internacional pode levar dias para ser compensada. Com a nova arquitetura, o objetivo é que as ordens sejam concluídas em poucos segundos, disponibilizando o valor convertido diretamente na moeda local da conta de destino. Essa agilidade é um dos principais focos da avaliação, conforme destacou Gilneu Francisco Astolfi Vivan, diretor do BCB.

Como a Conexão Técnica entre Pix e TIPS Será Feita

A estrutura em estudo prevê uma integração direta entre os dois sistemas centrais de liquidação bruta em tempo real. Isso significa que, sem eliminar as instituições financeiras locais, a transação seguirá uma rota coordenada entre as duas jurisdições. Marco Massarenti, consultor de pagamentos do Banco Central Europeu, explicou que “um participante da Europa, como um banco ou provedor de pagamentos, envia uma instrução ao Tips. O Tips a transfere para o Pix no Brasil, que a encaminha ao banco ou provedor final”.

Para que essa comunicação automatizada seja viável, os bancos centrais precisam harmonizar padrões técnicos, especificações funcionais de mensagens e normas regulatórias. Grupos de trabalho analisam a equivalência dos formatos de mensagens de cobrança e pagamento, além de verificarem regras de segurança cibernética, a legislação de proteção de dados pessoais e o caráter definitivo da liquidação jurídica em cada jurisdição.

Bancos Comerciais Continuam Sendo Essenciais na Intermediação

É importante ressaltar que, apesar da criação desse canal público entre os bancos centrais, o envio e o recebimento de valores continuarão a depender dos bancos comerciais e dos provedores de pagamento autorizados. Essas empresas manterão a relação de atendimento com os clientes, o cumprimento das normas contra lavagem de dinheiro e a cobrança pelos serviços.

Massarenti enfatizou que o novo sistema apenas fornecerá a infraestrutura pública de base: “Não estamos retirando os bancos da equação. Continuaremos precisando das instituições financeiras e dos provedores de serviços de pagamento em ambas as jurisdições para levar a transação até a última etapa.” As tarifas finais cobradas dos correntistas continuarão sendo negociadas comercialmente entre clientes e bancos.

O Futuro das Transferências Globais e o Cronograma

O sistema TIPS, operado pelo Eurosistema, já processa liquidações instantâneas em euro, coroa sueca e coroa dinamarquesa. No Brasil, o Pix movimenta uma média de 250 milhões de transações diárias. A iniciativa se alinha às diretrizes do G20 para o aprimoramento dos pagamentos transfronteiriços e acompanha o aumento projetado nas trocas econômicas ligadas ao Acordo Mercosul-União Europeia.

Ainda não há um cronograma oficial para a estreia das remessas via Pix e TIPS. A fase de avaliação de viabilidade pode levar um ano ou até mais, como observou Massarenti, devido à complexidade de verificar a compatibilidade e construir os sistemas de conexão de dados. Após a conclusão dos estudos regulatórios e de tecnologia, as autoridades monetárias terão que homologar os testes operacionais definitivos antes que o sistema esteja disponível para a população.

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