A Caixa Econômica Federal protocolou uma ação de dissídio coletivo perante o Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, buscando uma solução judicial para o Acordo Coletivo de Trabalho e para a greve dos empregados.
A medida, que ocorreu na manhã desta quinta-feira (24), vem após o fracasso de uma audiência de mediação pré-processual realizada na quarta-feira (23) pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), mantendo a paralisação nacional que já dura 15 dias e afeta milhares de trabalhadores e clientes.
Entenda os pontos cruciais da disputa, os valores em jogo e o que os empregados da Caixa reivindicam para o plano de saúde e outras condições de trabalho, enquanto a Justiça do Trabalho assume o caso.
O impasse no plano de saúde Saúde Caixa e os valores em disputa
O modelo de custeio e os reajustes do Saúde Caixa representam o principal ponto de discórdia entre a administração do banco e as entidades sindicais. A direção da estatal propõe um reajuste de 60% no valor da coparticipação em consultas de pronto-atendimento, elevando a taxa de R$ 75,00 para R$ 120,00 por atendimento, o que é rejeitado pelos trabalhadores.
Para o financiamento de longo prazo a partir de 2027, a Caixa propôs limitar sua participação patronal a 9% da folha de pagamento, um percentual superior aos 6,5% do patamar anterior. Em contrapartida, a empresa quer estipular a contribuição fixa dos empregados em 3,7% da remuneração-base do titular. As entidades sindicais discordam dessa repartição e tentam impedir alterações na estrutura de financiamento do convênio médico.
A instituição financeira também solicitou a prorrogação provisória das cláusulas do acordo que venceu em 31 de agosto de 2026, garantindo a manutenção dos benefícios dos trabalhadores até a deliberação dos magistrados. Uma premiação extraordinária de R$ 3.000,00 por empregado, pelo alcance do Índice de Eficiência Operacional no primeiro semestre de 2026, foi mantida fora do dissídio.
A greve continua: a reação dos bancários à judicialização
As lideranças sindicais reagiram de forma contrária ao ajuizamento da ação no tribunal trabalhista e mantiveram a greve por tempo indeterminado, iniciada em 10 de setembro de 2026. A categoria já havia rejeitado a primeira proposta com mais de 90% dos votos em assembleias e repetiu a recusa em uma terceira votação.
A mobilização dos empregados incluiu um ato público ao meio-dia desta quinta-feira na Avenida Paulista, em São Paulo. Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, avaliou a medida como um retrocesso. “Não era esse o caminho que queríamos. Alertamos para esse risco. O Comando Nacional deve se reunir novamente para avaliar e orientar os próximos passos”, afirmou a representante dos trabalhadores.
Diferenças cruciais em relação aos bancos privados
O cenário de impasse na instituição pública contrasta com o desfecho alcançado na rede bancária privada no início de setembro de 2026. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) concluiu as negociações após a aprovação de uma Convenção Coletiva de Trabalho bienal com os sindicatos. O documento garantiu reajuste com aumento salarial de ganho real de 0,6% por dois anos, índice que também corrigiu os vales-refeição, a alimentação e a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), além de incluir cláusulas específicas de proteção à saúde mental e desconexão profissional fora da jornada regular.
A Caixa, em comunicado oficial, declarou que ingressou com o processo judicial “buscando uma solução institucional que assegure segurança jurídica e previsibilidade para todas as partes envolvidas”, e garantiu que “manterá sua postura de respeito às entidades representativas e compromisso com os empregados durante todo o processo e cumprirá integralmente as determinações que vierem a ser estabelecidas pela Justiça do Trabalho”.
Próximos passos no TST e a mobilização dos trabalhadores
A Seção de Dissídios Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho ainda não sorteou nem divulgou o nome do ministro relator que ficará responsável pelo caso, e também não há data prevista para um julgamento de mérito pelo plenário da corte trabalhista. As instâncias sindicais, coordenadas por Neiva Ribeiro, Luiza Hansen e Lourenço Prado, agendaram uma reunião do Comando de Greve para as 17h30 desta quinta-feira (24) para deliberar sobre a manutenção dos piquetes e as defesas judiciais. Os trabalhadores aguardam as próximas orientações enquanto a greve continua por tempo indeterminado.
Eu sou a Carla Vargas. Acredito que todo trabalhador merece receber cada centavo pelo seu esforço, sem deixar nada para trás. Como repórter de Trabalho e Economia no Canal do Cidadão, minha missão é descomplicar a CLT e as regras do FGTS, PIS/PASEP e Seguro-Desemprego. Eu traduzo o ‘economês’ para que você entenda seus direitos na demissão, saiba quando sacar seus benefícios e aproveite as melhores oportunidades que o mercado de trabalho oferece.