A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal entra em nova fase crucial hoje, com a mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST) buscando resolver o impasse sobre o plano de saúde da categoria.
Milhares de bancários paralisaram suas atividades em todo o país após rejeitarem a terceira proposta do banco, centrada nas novas regras de custeio para o Saúde Caixa, o plano de saúde dos empregados.
Acompanhe os detalhes das propostas, os pontos de divergência e os canais de atendimento que continuam funcionando para garantir que você não perca seus benefícios durante a paralisação.
O que está em jogo na mediação do TST?
O Ministério Público do Trabalho (MPT) acionou o Tribunal Superior do Trabalho para intermediar um consenso entre a Caixa Econômica Federal e as entidades representativas dos bancários. Essa audiência de mediação pré-processual, marcada para as 14h30 desta quarta-feira (23) em Brasília, visa evitar um dissídio coletivo formal na Justiça do Trabalho.
A iniciativa do MPT ocorreu após a rejeição da terceira proposta do banco por 102 bases sindicais em assembleias realizadas na segunda-feira (21). Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, a mediação é “uma forma voluntária e consensual de resolver conflitos entre empregados e empregadores antes do ajuizamento de uma ação trabalhista formal”.
Divergências no custeio do Plano de Saúde Caixa
O principal entrave na renovação do Acordo Coletivo de Trabalho são as novas regras para o Saúde Caixa. A proposta mais recente do banco prevê elevar de 6,5% para 9% o teto de participação patronal sobre a folha de pagamento no custeio do plano a partir de 2027. Além disso, o banco assumiria eventuais déficits e manteria as mensalidades sem reajuste em 2026.
Em contrapartida, os funcionários apontam que o modelo pretendido para 2027 absorve o ganho financeiro obtido nas cláusulas econômicas gerais da categoria bancária. A tabela desenhada pela Caixa fixaria, a partir de 2027, uma alíquota de 3,7% da remuneração-base do titular e mensalidade de R$ 560,00 por dependente direto, com limite global de 9% sobre a remuneração familiar.
Para dependentes indiretos, a mensalidade estipulada é de R$ 660,00 para filhos entre 21 e 24 anos e de R$ 900,00 para a faixa de 24 a 27 anos, mesmo valor cobrado para pais remanescentes. A oferta inclui ainda a redução na taxa de coparticipação em pronto atendimento de R$ 150,00 para R$ 120,00 e um reajuste salarial padrão de 4,6%, correspondendo a 0,6% de aumento real acima da inflação.
Serviços da Caixa operando durante a greve
Mesmo com a paralisação afetando unidades físicas, a Caixa Econômica Federal assegura a continuidade de serviços essenciais. Os repasses federais de setembro de 2026 referentes aos programas Bolsa Família e Pé de Meia foram mantidos dentro do cronograma, operados de maneira automática e sem interrupções.
O atendimento presencial ou transacional alternativo ao balcão das agências permanece disponível. Os terminais de autoatendimento, casas lotéricas e estabelecimentos correspondentes Caixa Aqui estão em operação em todo o território nacional. Além disso, os terminais integrados da rede Banco24Horas são uma opção.
Para quem busca atendimento remoto, os aplicativos como Caixa Tem, FGTS, Habitação Caixa, DPVAT e Cartões Caixa continuam funcionando. O serviço telefônico Alô Caixa está disponível nos números 4004-0104 para capitais e regiões metropolitanas e 0800-1040104 para as demais localidades.
Linha do tempo da greve da Caixa em 2026
A paralisação dos empregados da Caixa tem seguido um cronograma específico, com momentos-chave que definem o atual cenário de negociação:
- 10 de setembro de 2026: Início da greve nacional dos empregados da Caixa Econômica Federal em agências e unidades administrativas pelo país.
- 21 de setembro de 2026: Assembleias de 102 bases sindicais bancárias rejeitam a terceira proposta da Caixa e aprovam a continuidade da paralisação.
- 22 de setembro de 2026: A representação dos trabalhadores solicita reabertura de mesa de negociação e o Ministério Público do Trabalho convoca audiência no Tribunal Superior do Trabalho.
- 23 de setembro de 2026: Representantes do banco e dos bancários comparecem à audiência de mediação pré-processual agendada para 14h30 no TST.
O resultado da sessão de mediação convocada pelo Ministério Público do Trabalho perante a Justiça do Trabalho definirá os próximos passos da negociação coletiva entre a instituição pública e as entidades sindicais. A Caixa Econômica Federal informou que “segue empenhada na construção de uma solução que preserve os interesses dos empregados, da instituição, dos clientes e da sociedade brasileira”.
Eu sou a Carla Vargas. Acredito que todo trabalhador merece receber cada centavo pelo seu esforço, sem deixar nada para trás. Como repórter de Trabalho e Economia no Canal do Cidadão, minha missão é descomplicar a CLT e as regras do FGTS, PIS/PASEP e Seguro-Desemprego. Eu traduzo o ‘economês’ para que você entenda seus direitos na demissão, saiba quando sacar seus benefícios e aproveite as melhores oportunidades que o mercado de trabalho oferece.